Neuropsicologia e Psicofarmacologia na Esquizofrenia
Palavras-chave:
Esquizofrenia, Funções executivas, Cognição, Antipsicóticos, NeuropsicologiaResumo
A esquizofrenia é caracterizada por alterações persistentes no pensamento, na percepção e no comportamento, com repercussões significativas no funcionamento social e ocupacional do indivíduo. Para além dos sintomas positivos e negativos, a literatura aponta a presença de alterações relevantes nas funções cognitivas, especialmente em processos como atenção, memória de trabalho, velocidade de processamento e funções executivas, havendo evidências de que os déficits estão relacionados a disfunções nos sistemas dopaminérgico, glutamatérgico e gabaérgico, bem como a alterações estruturais e funcionais nos circuitos frontais, temporais e talâmicos. Este estudo teve como objetivo analisar os déficits cognitivos e executivos na esquizofrenia, considerando suas bases neurobiológicas, implicações psicofarmacológicas e repercussões clínicas. O presente artigo consiste em uma revisão narrativa da literatura, com estratégia de busca estruturada, realizada predominantemente na base PubMed/MEDLINE, complementada por produções científicas nacionais. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português e inglês, abrangendo diferentes delineamentos metodológicos relevantes para a compreensão dos déficits cognitivos e executivos na esquizofrenia. A síntese dos achados foi conduzida de forma qualitativa e interpretativa. Embora os antipsicóticos demonstrem remissão dos sintomas positivos e negativos, seus efeitos sobre o funcionamento executivo e cognitivo são limitados. Alguns fármacos como guanfacina, vortioxetina, buspirona e minociclina apresentam efeitos positivos em domínios neurocognitivos específicos, sem evidência de melhora global da cognição. A avaliação neuropsicológica e as intervenções de remediação cognitiva são estratégias centrais no manejo clínico, sobretudo quando integradas ao tratamento farmacológico. Conclui-se que os déficits cognitivos e executivos representam um eixo central da esquizofrenia, com impacto funcional significativo e persistente, não sendo plenamente responsivos ao tratamento antipsicótico convencional, o que reforça a necessidade de abordagens clínicas integradas e funcionalmente orientadas.
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